explodem informações,palavras que querem dizer por dizer,saindo das bocas carnivoras do futuro,palavras robotizadas,eletrizando a visão...

acordo outra todos os dias,outra percepção,outra agonia... acordo outra todos os dias,outra oração,outra alergia... com a sobra de ontem,faço um novo jantar... e no prato,qualquer coisa de nostalgia...

Escrevo porque sou o esboço de mim mesma.Sou cada frase construída,cada palavra mal escrita.Carrego alheio ao corpo,um saco de imaginação,a cada momento que o sinto dispersar, o trago de volta.Corro,caio,tropeço;sem ele, prefiro estar morta!

Desenquadro

Desenquadre o retrato desta parede,ela cai aos pedaços,enquanto desmancha os laços,ela se desfaz em cacos.Neste borrão de parede,não pára de escorrer o mofo do tempo.Ela está se apagando.A moldura se desgastando.
O que resta para nós agora?
Um concreto que se racha dentro de um tempo que se mancha,é o que enxergo agora,com o meu costumeiro olhar obscuro.Mas não pense que sou pessimista!Às vezes se enxerga melhor na escuridão.Mas não pense que sou triste assim,não!É que algumas visitas demoram a ir embora.
Eu queria ser engraçada,mas enceno melhor sendo trágica!
Queria também ser colorida,arrasar com uma avenida,ser blockbuster de bilheteria;que nada!A minha natureza é mais;tem mais cores que uma roupa colorida,maior do que uma avenida,vale mais que qualquer sucesso de bilheteria!Mas não vá pensar que sou convencida!É que aprendi,que pra seguir em frente,temos que acreditar na gente,acreditar na vida.
Desenquadre-se dessa moldura velha!
Adequar-se a novas maneiras,isso soa como:Adequar-se?Ajustar-se?"Moldurar-se"?Enquadrar-se?
Eu quero dizer apenas, desprenda-se...
Desprenda-se!
Moldes,frases prontas,sorrisos "desespontâneamente" simpáticos,feições forjadas,caras de parede,os quadros quadrados que espalham pelas casas,roupas de alfaiate ruim,enfeites inespressivos.Como viver dentro deste "desconvívio" social!?
Desenquadre-se!
Este corpo mundano,dando voltas em torno da sua mente e eu a trago para dentro,como a mais forte das fumaças.Eu a deixo entrar vagarosa;que seja tórrida,que seja tóxica.Às vezes sei que vai me ferir fatalmente,mas ainda assim,peço que vá em frente.Todos os espelhos da minha casa,os reflexos que encontro por aí;às vezes não me reconheço.É estranho como posso me sentir bem depois de algum tropeço,quantas cores posso encontrar em cada momento que eu me atracar.E eles me atacam,e eu nem sempre me ligo.Eles quase me matam,e eu nem sempre morro!
Fico me perguntando : O que se passa? De fato passam-se muitas coisas,coisas que não compreendo,não por burrice,não por falta de tato,acho que preciso de uma dose a mais de malícia.Um olhar mais frio,isso acaba comigo!A racionalidade por hora me parece tão irracional.Me suporto na minha emoção,nos meus eternos conflitos,no brega do meu sentimentalismo e fico desnivelando os picos da minha descarga emocional.Me sinto as vezes um tanto tola,mas penso que tolos mesmo são aqueles que fingem não sentir nada,que se mantém num patamar de segurança e estabilidade.Bom mesmo é desestabilizar,possuir a insegurança que se permite arriscar.Vivo aos tombos,ralada e manchada,mas eu acho que eu gosto;desde que eu não perca os dentes é claro.
Há lugares em que somos o apelido,outros nosso próprio nome,há lugares que não podemos ser outro que não sejamos nós mesmos,para não corromper,não nos corromper por tão pouco.
Às vezes corrompemos o corpo, por necessidade,vaidade,luxuria,depravação.Mas é importante que não percamos a dignidade,ainda que a identidade fique falha que não a deixemos cair na falência.A mente desfalecida é um corpo falido;um Estado em declínio.Nos tornamos então outro,um personagem criado para manter o (des)equilibrio da aparência.Eu não quero essa fantasia pobre,vestir rendas ensaiadas,luvas para acenar com um ar mais abrilhantado.As minhas luvas incomodam,o meu vestido de renda rasgado;não quero ser a rainha piranha da festa com o seu príncipe desdentado."Esse mordedor,morde com dentes roubados.Até as suas entranhas são falsas".Fugir da realidade é preciso,dessa brutalidade cotidiana,das relações automatizadas."Com um centímetro cúbico se curam dez sentimentos lúgubres."E que venha a ressaca moral;a inspiração e os bons sentimentos.Dos meus tormentos,Deus me presenteia com olhos sensíveis e eu posso enxergar a beleza que me cerca.