O corpo, um teatro abandonado, as cortinas se fecharam pra você. Agora o cinema mudo toma conta de toda a tela, movimentos e expressões para justificar a falta de palavras. Só a trilha sonora dizendo por você, na tentativa de que alguém decifre a melodia. O figurino velho, em trapos ainda te vestem de nostalgia. As costureiras estão mortas, eu preciso costurar os meus vestidos, mas as agulhas se contorcem e machucam. Eu visto a minha nudez rasgada e todos os cortes expostos, as marcas de uma cena que já não existe. Somente os passos na mesma trilha, caminhando na melodia da cidade.
Corações Verdes Fritos
Tenho uma plantação de árvores de corações verdes no quintal, e eles crescem tanto que estão sempre caindo antes do tempo, criando rachaduras, rompendo fechaduras, e quando caem são como gotas de lamento.
Nem mesmo o concreto suporta raízes tão fortes,forma em sua superfície linhas de expressão desalinhadas e conectadas desordenadamente, entrecobertas por manchas de abandono. Quando me canso da ansiedade por comer frutas verdes, as coloco no forno e extraio todo o seu líquido cansado, é quando elas passam do ponto e ficam jorrando sua essência descuidada, então faço mais uma refeição passada e eu fico enjoada e cheia de frutas estragadas.
Massacre da serra elétrica nas árvores do meu quintal!
Nem mesmo o concreto suporta raízes tão fortes,forma em sua superfície linhas de expressão desalinhadas e conectadas desordenadamente, entrecobertas por manchas de abandono. Quando me canso da ansiedade por comer frutas verdes, as coloco no forno e extraio todo o seu líquido cansado, é quando elas passam do ponto e ficam jorrando sua essência descuidada, então faço mais uma refeição passada e eu fico enjoada e cheia de frutas estragadas.
Massacre da serra elétrica nas árvores do meu quintal!
Vida de Banheiro
Caras de nojo,de estorvo,de felicidade,ansiedade.Choros,fugas e confabulações.Os banheiros são como templos terapêuticos,como cantava cazuza,a igreja de todos os bêbados.Momentos de solidão,devassidão,desabafos,fofocas e tramitações,os banheiros são refúgios,um lugar a parte da festa,quando não, a própria festa.As amizades rápidas nas filas,as conversas banais,as funções,os vomitos decorrentes de toda alegria mascarada até então,até o momento em que nos olhamos no espelho,quando nos percebemos ou desfocamos nosso reflexo.Cada feição distinta uma da outra.Cada uma com o seu sol ou com a sua treva.Em cada olhar uma oração muda, de todo o sentimento que em si carrega.
Às vezes a gente se esvazia, feito uma piscina suja, feito um bêbado com azia; se enche de solidão, almoça tripas e coração, estômago vazio no jantar e na ceia doses de redenção.
Às vezes a gente se esvazia tanto que falta ar, e nos tornamos apenas um saco vazio. Então a gente se enche de lixo e precisamos nos desfazer novamente!
Às vezes a gente se esvazia tanto que falta ar, e nos tornamos apenas um saco vazio. Então a gente se enche de lixo e precisamos nos desfazer novamente!
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