corpos em movimento no vazio do salão, um milhão de olhares na multidão.danças embalam a selvageria da canção,do coração,danças de luxuria e solidão. despersonificação de personagens, cada corpo uma embalagem,nos banheiros, fluidos para todos os tipos de engrenagens.

Corações Verdes Fritos

Tenho uma plantação de árvores de corações verdes no quintal, e eles crescem tanto que estão sempre caindo antes do tempo, criando rachaduras, rompendo fechaduras, e quando caem são como gotas de lamento.
Nem mesmo o concreto suporta raízes tão fortes,forma em sua superfície linhas de expressão desalinhadas e conectadas desordenadamente, entrecobertas por manchas de abandono. Quando me canso da ansiedade por comer frutas verdes, as coloco no forno e extraio todo o seu líquido cansado, é quando elas passam do ponto e ficam jorrando sua essência descuidada, então faço mais uma refeição passada e eu fico enjoada e cheia de frutas estragadas.
Massacre da serra elétrica nas árvores do meu quintal!


Vida de Banheiro

Caras de nojo,de estorvo,de felicidade,ansiedade.Choros,fugas e confabulações.Os banheiros são como templos terapêuticos,como cantava cazuza,a igreja de todos os bêbados.Momentos de solidão,devassidão,desabafos,fofocas e tramitações,os banheiros são refúgios,um lugar a parte da festa,quando não, a própria festa.As amizades rápidas nas filas,as conversas banais,as funções,os vomitos decorrentes de toda alegria mascarada até então,até o momento em que nos olhamos no espelho,quando nos percebemos ou desfocamos nosso reflexo.Cada feição distinta uma da outra.Cada uma com o seu sol ou com a sua treva.Em cada olhar uma oração muda, de todo o sentimento que em si carrega.