a gente pode escolher o peso ou a falta de impacto
podemos ser a flor ou o cacto
podemos afundar na àgua ou na terra
paz ou guerra
o espelho que reflete ou os seus cacos
tropeçar no chão ou no buraco
ser uma boneca ou um palhaço
o silêncio ou o estardalhaço
são todos animais rondando suas presas
enfeitiçando com seus movimentos sedutores
suas poses de atores
dá pra ver brilhando aquelas enormes teias
suas vitimas indefesas
é quando as paixões sussurram
eles vem tão devagar
prontos para te pegar
é quando os invasores te inundam
já é tarde para cair em si
a cara esmurrada
a carne desnuda
as ilusões retalhadas
foram tantas as pancadas que eu nem vi
se ao menos antes de me adentrar eu pudesse consentir
então eles surgem com seus rodos a fim de me enxugar
se ao menos aquelas mãos eu pudesse decifrar
eu nem mesmo as pude sentir
as emoções salivavam na boca vazia
causando náuseas no estômago oco
o soco
na minha boca se desfazia

Entorpecência

A bebedeira cáustica do malandro
vem tombando,quebrando as vidraças da visão
Aquela embriaguez ensandecida
transpassando a lucidez surda
Arranca tímpanos, estoura o peito
Maltrata a alma
Com seu grito torpe
Palavras errantes, desconcertantes
Desconcertando os passos
O caminho distorcido do fraco
Dos pés enfiados num buraco
A ilusão sorrateira
Emergindo da noite traiçoeira
É quando lhe ofuscam os sentidos
Se perde o riso
Os olhos rasos d'agua
Um equilíbrio bambo na tábua
A secura sem propósito de um beijo
Tal como o gosto estragado do queijo
Enxergar com os olhos da escuridão do outro
Desmedir a visão por tão pouco
Se perder em vários rostos
Vagar por tantos corpos
Habitar uma vida em cada copo
As unhas afiadas da mulher louca
Sua boca desfigurada e a voz rouca
A transmissão da rádio anuncia sua confusão
Nas ruas escuras vem andando sua solidão
Junto às sombras noturnas
Estende-se as mãos
Á uma companhia perversa e sem coração
Na noite passada, roupas de cama desarrumadas, vestido amarrotado, peito desabotoado, a maquiagem borrada, gemido estancado,abafado no travesseiro,as lágrimas inundando o corpo junto à água fria do chuveiro, no banheiro, a privada se desfez com a imagem revoltada do meu jantar.
Na noite passada, fui comida mal passada!
Abriram o zíper que há entre minhas pernas, fui comida mal passada!
Eu me tornei o meu jantar!