tomei um frasco de você,esperei fazer efeito e adormeci com o vinho e o remédio das ilusões maltratadeiras,foi a cura da minha ressaca,o fim de você em mim!
a cada dia que amanhece seu olhar está mais fosco,mais denso
foi quando parou de acreditar
quando perdeu a fé
foi quando começou a amanhecer num dia velho
em camas sujas, desconhecidas
por onde anda seu coração,ele vaga agora por qual direção?
se já nem sabe mais o que carrega no peito
então há um buraco ai,um buraco estreito
quando foi que eu morri?
assim disse seu coração quando vagou por mim
"Estou ficando louco
De tanto pensar
Estou ficando rouco
De tanto gritar...
...Estou ficando cego
De tanto enxergar
Estou ficando surdo
De tanto escutar..."

Tenha Fé

Transmita-se!
ao longo de seus passos
eles equivalem o seu peso?
a sua altura está de bom tamanho?
que coisa trapaceira,
ficou tão pesada que já não pode suportar os passos
agora se carrega aos pedaços
talvez seja preciso desfazer alguns laços
há laços demais
apertados demais
que ficaram em algum momento, sujos demais
carregar o mundo nas costas as vezes é um fardo
ou uma consagração
do quão fraco ou forte pode ser
do quanto seu corpo pode suportar
é a lei do mais forte
e o que é ser forte?
pra que ser tão forte?
carregue um fardo, acerte alguns dardos
arremesse pesos
ultrapasse limites
faça tudo devagar
você precisa suportar
precisa tentar se adequar
quantas besteiras mais querem nos fazer acreditar?
um cigarro aceso
uma brasa incendeia o céu que há em você
seus raios passam por mim,
cortam minhas sombras ao meio
um vento te sopra pra perto
e devassa toda poeira do meu deserto
uma tempestade te inunda d´água
e teu abraço enxagua o pesar de qualquer mágoa
a lua ofusca o sol
te esconde de mim
mas eu gosto mesmo da tua escuridão
que me beija lenta,calma e sem fim
perfurou o estômago
pensando ser os pensamentos adormecidos no travesseiro
enfeitou o corpo com cortes
pensando ser a velha linha de costura
que se perdeu,que por descuido desvairou
causando abandono de sua máquina
então passou a se vestir em trapos
em velhos panos
rasgados
manchados
descosturados
e levava consigo um saco ácido onde depositava todos os dias um pedaço de sua vida
alguns pedaços imprestáveis de teu céu
algumas roupas desfeitas
as malfeitas
e este teu céu que acusado de não amanhecer,começou também a se desfazer
um bando de nuvens expulsas dançavam, escondendo a cerca de arames que rodeava tua casa
escondendo e amortecendo os cortes,a cada tombo na sua entrada,
todos os dias
do seu cotidiano cansado
e disse adeus às linhas de costura
abrindo os braços para dor
assim como se abrem as ostras para os grãos de areia
de sua proteção nasceram pérolas brilhantes
assim se desfez também de todas as roupas
e se transformou num lindo colar...
de pérolas...
de todas as cores
destoando
de todas as formas
desencaixando
de todos os tamanhos
desconstruindo
então abriu os braços para o mundo desconhecido que a habitava!
hveiugveovihgiuwvdfj
igueioyuioey
fcgrh
ecooooa...
hsuyfw-quando a transmissão se perde
no vacuo
fegheiw-se perde
vaga...
no eco!!!!!!
?????????????
hgeiheilvioituoh
???????????
Porque às vezes é difícil descrever uma confusão!
Mestre Yo disse:"O que você idealiza nem sempre é aquilo que você precisa!"

do Ser cruel

Brinco com a sua cabeça pra ver se ela rola melhor que a minha bola...

"decifra-me ou devoro-te"


Você é mais uma presa
uma presa na teia
teia da seleção
seleção feito catraca
catraca feito coador
coador feito teia
na catraca do pau
na teia do útero
mais uma presa
da grande aranha do mundo
presa feita de gosma
gosma da fertilidade
fertilidade que trás vida
vida selecionada
selecionados toda vida
vida de catraca
na qual ninguém escapa
eles querem você
cada parte de você
e te preparam para a refeição
o grande banquete da celebração
sua carne e ossos numa bandeja
e as bocas todas abertas,salivando,
esperando a sua digestão!

"Toda nudez será castigada"

My Bloody Valentine


There´s more than one way to lose your heart...
vendo assim até parece sério,trágico e tal, mas é que as mensagens subliminares sempre me intrigaram muito!
da um punhado de pensamentos isso aqui não?
vai além...
é tão...profuuunnndo...hahaha...
Hoje pintei minha boca com sonhos pra manchar você!

Campo do Corpo minado

Ás vezes a gente precisa tomar uma dose a mais de crueldade dos copos que nos oferecem
Dos corpos
Pra poder perceber intenções,
pra se proteger de ladrões
Ladrões das coisas bonitas que nos restam
É foda ter que engolir seco,
tanta desimportância,
se infectar de arrogância
Sentir a garganta em chamas
com a hipocrisia que rasga e se desfaz em leitos adormecidos,
que se impregnam de poeira,
da bebedeira e gestos distorcidos
Sentir o amargo de algumas existências,
a bebida inundando o corpo,
as lágrimas que se tornam ácidas,
que afogam,
que apertam o peito e nóia a garganta,
esfria as mãos
adoece as pernas e coração
adoece os passos
esfria os abraços
Me esqueci de tomar aquela dose de crueldade
me roubaram um pedaço de algo,
posso sentir o buraco,
acho que foi o coração
É como o corpo oco de uma boneca
Eu sou uma boneca e fui desmontada!
Estão tentando pentear os meus cabelos pra eu parecer melhor aparentada,
agora eles estão tão embaraçados!
meus cabelos de boneca troncha,
é tão embaraçoso!
Sou feita de cera e esta cachaça está me queimando,
estou derretendo...
Eu sou uma boneca e fui desmontada!
A maquiagem borrada...
Deixaram minha cabeça cair no chão!
Sou uma cabeça de boneca quebrada!
Uma boneca sem coração!
Sente no ponto mais alto de seu prédio e espere cair,de seus cacos se constituirão diamantes!
há uma boca em cada chão de esquina
um chão em cada vida
uma vida em cada boca
a boca na quina
uma batida
a trinca do espelho
do olho do açougueiro
da coxa cortada
a vida dissecada
no chão
na contra mão
na esquina de cada boca
cáustica
de veias cortadas
da pele manchada
e roxa da quina
da batida em cada menina
a cada boca de esquina
no beco de cada cortina
rasgada
do veludo que afaga o choro da batida
de cada vida partida e costurada!

Typical girls


Don't create
Don't rebel
Have intuition
Can't decide

Typical girls get upset to quickly
Typical girls can't control themselves
Typical girls are so confusing
Typical girls - you can always tell
Typical girls don't think too clearly
Typical girls are unpredictable (predictable)

Typical girls try to be
Typical girls very well

Typical girls are looking for something
Typical girls fall under spells
Typical girls buy magazines
Typical girls feel like hell
Typical girls worry about spots, fat, and natural smells
Sniky fake smells

Typical girls try to be
Typical girls very well

Don't create
Don't rebel
Have intution
Don't drive well

Typical girls try to be
Typical girls very well

Can't decide what clothes to wear
Typical girls are sensitive
Typical girls are emotional
Typical girls are cruel and bewitching
She's a femme fatale
Typical girls stand by their man
Typical girls are really swell
Typical girls learn how to act shocked
Typical girls don't rebel

Who invented the typical girl?
Who's bringing out the new improved model?
And there's another marketing ploy
Typical girl gets the typical boy

The typical boy gets the typical girl
The typical girl gets the typical boy

Are emotional

The slits
"Há alguma coisa cruel em todo amor"

cinerária sinfônica

tomei uma pancada
dei outra de volta por despeito
tiraram meu sangue
eu acertei uma garrafa entre suas pernas
para que não possam mais foder comigo
atrás do meu quintal começaram a nascer cactos
então eu sequei
me perfuram por tudo quanto é lado
fizeram das tripas e coração para isto
agora não se pode ver nada mais além disso
tripas e coração
espalhados pelos quintais do mundo
crianças tropeçando entre as partes no chão
brincando...
fazendo-os enfeites de carnaval
ainda me lembro de alguns garotos jogando futebol com alguns corações que estavam amontoados na lixeira
haviam entulhos de bixos rastejantes pelos quintais do mundo
um grande amontoado de gente!!!

Expectadora do admirável mundo novo


abra seus olhos e deixe-os queimar!!!

quando a minha cabeça surta...

minha cabeça ferve
ei cabeça não vá fundir!
e ela roda
ei não fique tonta!
ela anda por caminhos estranhos
não vá se perder!
e hoje ela bebeu tanto,que embriagou-se
acontece que um dia ela pediu aos meus ouvidos:
fiquem surdos!
mas eles não a ouviram
cansada de tanto barulho,pediu ao meu coração:
não sinta tanto!
ele também não a ouviu,e por acaso coração la tem ouvidos?!
mas essa minha cabeça...
pediu ainda a minha boca que não falasse
a minhas mãos que não escrevessem
aos meus dedos que não tocassem
a meus pés que não andassem
a meus olhos que não enxergassem
a minha dor que não doesse
então eles disseram:
ei cabeça pare de pensar!
e ela disse que se assim fosse, morreria
então caiu novamente em si e se desdisse,ainda atormentada,em tom de divagação:
"...é pena não ter nascido burro,não sofria tanto..."

"Ata-me"

Desprendendo-se do útero na direção torta da proibição dos desejos
Na linha reta do desengano
Eu me nego
Mas não me negue
Acabo de sair novamente deste saco quente
Me aconchegue
Chegue perto
Me deixe!...
sentir a confusão de seus sentidos
Não me deixe!...
á maestria dos sons surdos...
eles que calam-te
Enterre-os!
Uma nova canção
Descubra,descubra-a
Em mim
Despindo essa lama entediosa
Do véu preto desse Deus que fere e sufoca
Cansando minhas pernas nessas ladeiras madrugadas
Com os dedos calados de vontade de te ter
De toda a saudade que se acende em minha cama
Esse desatino que vem de mansinho invadindo minha rotina
É você senhor imperioso dessa morada
Da minha nudez castigada
Da comida mal mastigada
Das noites mal habitadas
Esse peito que não dorme
A cabeça em delírios que me consome
Me consuma!
Assim tão lentamente
Como há anos vem fazendo
Latente...
Que num suspiro distraído pulsa
Aí então me ressuscita quente
Para dentro de você
Me devore devagar
que é pra eu não me cansar...
de você!

"Mulheres a beira de um ataque de nervos"

Mulheres circenses e o adestrador de seringas



A trapezista logo começara a cair,saltou mais alto do que as mãos podiam alcançar,a manchete do jornal dizia em letras alarmantes que havia sido o vento quem lhe deu uma rasteira e a lançou para fora do espetáculo.
Um mergulho a mais em seu declínio,um mergulho mais fundo,que afoga seu mundo,que afaga a alma desolada de seu submundo.
Todas as personagens da grande peça em harmonia com os seus atos,a sua rebeldia incompreendida,as suas falas mal interpretadas.
O público emudeceu!
Lá fora, vozes sopravam qualquer coisa sobre o ocorrido para alguns ouvidos surdos,ninguém podia ver,eram as luzes do espetáculo ferindo-lhes a visão.

Carta ilegitima aos atores de má fé

Então você se deteriorou dentro de sua própria arte, de sua visão torta e cruel,modificando e moldando cada corpo para cada um de você.
Quantos mais poderá ser?
Quais serão as outras partes de você?
Te acende a cada música,
e a cada dela já não és o mesmo
muda-se o som,muda-se o tom
e você está dançando tão mal agora.
Seus movimentos se parecem com a agonia de um sapo embotado de sal,
seu timbre está rouco e falho como seus atos despreocupados.
Certa vez li num livro que todo ser humano possui uma caixa preta de empatia,
sendo assim és um andróide!
Num sentimento sorrateiro de vingança,fui inebriada por uma questão:será que deveria eu contratar um caçador de cabeças a prêmio?
Essa história toda também me faz pensar em as sete faces do Dr.Lao,
o que me faz crer que:"O mundo todo é um circo.Quando olhamos para um punhado de areia e vemos mais do que areia,vemos um mistério,o circo do Dr.Lao estará lá".
Em algum momento caio em delusão,desmitifico um coração,desejo ter um ataque de embolia para que você não possa mais circular por mim nem me intoxique mais as veias.
Cataliso o processo de entropia para esperar a calmaria,que há de chegar,pois diz que depois da tempestade...
E ainda que é preciso ter um caos...
É eles dizem muitas coisas mesmo!E é por eles dizerem tanto que pensei que talvez tivessem lhe avisado para que nunca machucasse um coração,com alguma frase persuasiva até,do tipo frase papel de carta,la vai:"Nunca maltrates um coração pois podes estar dentro dele" e por ai vai.
Mas me dei conta de que eles devem por descuido ter se esquecido de avisar para algum de você,e fui logo dar o azar de conhecer essa sua cara.
Mas como desgraça pouca é bobagem...
Antes de ir embora,de sumir,dar um perdido,me ajude a compreender: porque precisa de tantas fantasias se nem chegou o carnaval?
Espero que encontre logo sua máscara perfeita,porque essa ai que está usando é velha e horrível.

à irmã perdida e suas canções

guarda teus monstros,menina
brinque com os sentidos que te faz viva
amanheça numa ciranda de confusão a cada dia
desfaz esse teu semblante de morta-viva
procure pelo que te move
pelo que te gira
solte então teus monstros
liberte-os de tua prisão
dê uma olhada pra essa imensidão
porque o que parece certo nem sempre possui razão
essa jaula que te cimenta os olhos vai te puxar pra baixo
não tente mais encontrar caminhos
apenas desencaminhe

...

vista sua fantasia mais bonita ,
caminhe para o espetáculo de novas visões fantásticas,
desprendam-se de seus ventres cansados
se despeça das velhas peças
atrás dos montes em sua mente te espera a chegada da nova era
/\/\----/\/\/\/\/\/\-----------/\/\/\/\/\--/\/\-------------/\--/\/\/\/\-----/\/\/\/
as máquinas ligadas em seu peito,o bater de seu coração...
os pensamentos começaram a se confundir com a transmissão da radio:aos espectadores.todos eles bem atentos.programando os fios de suas caixas memoriais para a espera do novo mundo, que não para nunca de chegar,brinquedos do futuro,
nunca param de chegar!
seus olhos estão bem acostumados com a velhice
das máquinas que te controlam,desligue-se!
caminhe em direção aos portais de seus espelhos
para que possam refletir os raios de sua essência
deixando a pintura de sua imagem enferrujada,
gravada na dimensão dos pobres de espírito
ligue-se!
/\/\/\/\----/\/\----/\/\/\/--------/\/\/\/\/\/\/\/\/\/-------------/\/\/\/\/\/\/\----

Sobre um poeta que dá voz aos mundos mudos

Sua imagem se retorce junto a sua aura reluzente,se confundindo com uma explosão galáctica
Você é feito de coisas belas,e toda beleza saindo de sua boca,provocando ouvidos surdos,amanhecendo docemente em outros
Está a sair de seus olhos uma névoa tão densa que a posso sentir passar por minhas veias e coração
O timbre de sua voz é como um sonho bom,passa pelo corpo feito arranha- céu ,seduzindo e alimentando a alma,transcendendo o espírito a dimensões malucas!
Sua presença nesse mundo é uma coisa linda,que ela prospere entre os vãos do infinito e se eternize como as estrelas no céu!
“Caminho lentamente e entro em contra-luz
E a garganta acende um verso sedutor
O corpo se agita e chove pelos olhos”....Cartola

Da oligofrênia social

Lá vem aquele garoto novamente
de roupa surrada e cárie no dente
Lá vem ele com o vício esfumaçado no olhar
tracejando uma nuvem de poeira no ar
E ele disse que está sem gosto para o amor
que em sua vida amarraram-lhe num coador
Todos os dias sua cidade amanhece encarniçada
com o berro de algumas crianças no decorrer da enxurrada
Diz-se nascido nas caldeiras elétricas catastróficas
de um céu construído por larvas atróficas
Pensa que um dia possa partir daquela lama
e transformar toda a cidade numa grande chama

De que cor você vê a minha aura?


Quem dera se toda a humanidade fosse diagnosticada com esquizofrenia paranóide!!!
Salve Bispo do Rosário e seu juízo final!!!

...

Abro as portas de um paraíso qualquer
Assim como quem toma emprestada pra si a felicidade
Pego a ternura de teu sorriso e o transporto para o teatro dos oprimidos
Da nascente de teu rio alimentam-se corvos e urubus
As águas que te afogam saem de você por todos os lados,
Saem de teus olhos para inundar os que tem sede e que já nasceram secos!
Não afoguem suas crianças em seus rios sujos,não as deixe secar como o sangue do cara atropelado que virou apenas uma mancha no chão!

A trágica morte de Acauã

Já nasce na obra incerta de teu destino de acauã
Nasce cuspida nos confins sórdidos no inicio do inferno
Na empreitada de teu caminho entre as montanhas,
Os sopros de bocas amaldiçoadas a jogam para baixo
É provável que teu topo venha com a morte
Pois já não sente medo
Absorta das pancadas guarda em segredo
Aqueles teus sonhos de menina,que lhes foram arrancados
Vem do berço que não produz leite
Alimentada de pedra que amarra a boca
E entalada na garganta perde a voz
Tua ascensão os faz crescer monstruosamente
Teu declínio os enfraquece
Eles precisam de você para produzir
Precisam de tua fome para prosperar
Fazem alarde do adoecer desse povo
Seguido de banquete
E ela diz:
“Porque você deita em cima de mim,deita e rola em cima da minha cama,fica querendo se aparecer e ser uma coisa que não é,se quando você morrer você vai feder...se é que já não está podre por dentro em vida,porque em cima dessa terra você não é ninguém!
É não é fácil não,eu to fudida e mal paga!”
(essas palavras foram proferidas durante a embriaguez lúcida de uma mulher que conheci,possuía ela no olhar chamas de tristeza e lagrimas que queimavam-lhe a face,numa vermelhidão como a cor de sua camiseta que me ofuscava com uma frase que dizia torpemente:COBAIAS HUMANAS!)
*Acauã:grande ave devoradora de serpentes

Orquestra em coma

Faz-me desleal o tempo
Com fortes pancadas de descompasso
Joga-me ao desalento
Causando grande estardalhaço
Já passou da hora
De ir-me embora
Dessa caoticidade
Dessa cidade
Do maldizer desse povo
De teu ataque lazarento
Estorvo
Que acorda desvanecido
Pronto ao condicionamento
Enraivecido
A caminho do mutilamento
De teu viver triste e envelhecido
Essas vidas foram jogadas no fundo dos teus armários
Devoradas pelas traças de teus caros tecidos
Ajoelham-se sob teus santuários
Que há tempos foram esquecidos
Fazem murmúrios e preces
Promessas tão ocas quanto teus peitos amortecidos
Para que ao menos um santo se apresse
E acalente novamente teus sonhos depressiativos
E ainda nesse errar de teus pedidos
Tão cuidadosamente mal formulados e articulados
Cruelmente sentidos
Por tudo que aprendeu errado de teus professores condecorados
Foram mortos todos os teus anjos,pelos teus sonhos todos tão mal despidos
Pelo teu coração que se tornou amargo
Pela tua oração de fé roubada
Pelo gosto sujo de teu fardo
Por tuas palavras com timbre de desalmada
Por tua nudez tardia
De gente que fora mal amada
Tal qual uma pobre vadia
Que essa ao menos não sabia de nada
Agora na hora de tua morte implora por redenção
Com o corpo todo arranhado
E tristemente sem uma canção
Chora então já com o sorriso definhado
Pela morte daquele teu pobre anjo que fora dilacerado
Que logo após morrera por teu desdenhoso descuidado
Pelos teu velhos sonhos mal sentidos
Morrera mais uma vez,despedindo-se de teu inferno enfeitado
E de teu céu que se fez partido
Espatifou-se!

Um conto qualquer...

A violação do corpo,no desprazer de uma abstinência qualquer,na procura desenfreada por algo que os possa alimentar Todas as partes de um alguém destroçados pelo chão,que se retorce quente,frenético,na perdição de um devaneio lúcido,com um olhar de cores violentas,buscando qualquer coisa que os faça sentir vivos Segue-se assim por lugares nefastos,feito de rostos disformes,passando uns pelos outros,variando o gosto das bocas,trocando uns pelos outros,despindo-se as roupas,manchando uns e outros,cobre-se as ancas para machucar...para não se machucar! Divaga-se os quadris com movimentos lentos para uns,posiciona-se as coxas num ato de morte para outros!

...

Te olha o sol com seus raios torpes
Te cega o sol com seus raios devassos
Devastas-te a alma
Levas-te o alimento
Trazendo as sombras para o estômago,
Formando-se um eco
O eco que vaga tenso por seu interior
Põe-se através das nuvens
Trazendo a nebulosidade do tempo
Trazendo uma escuridão tão densa
que já não pode mais ferir-lhe as retinas
Agora fere-lhe a ausência
E enterra-se em sua solidão profunda
Sua confusão sem fim
Enterra-se na terra do desterro
Ateia-se fogo novamente
No clarear da manha

Porque nem tudo são sonhos...

O que alimenta essas vidas se não se alimenta a cabeça de um estômago vazio ... nem o estômago de um coração despedaçado... tão pouco alimentar o coração despedaçado de uma alma que se perdeu... ou ainda alimentar a alma de quem não mais tem fome?

Sonhos...

Não sei o que sou, saber ignora os mistérios tão profundos em mim,porém percebo-me por vezes perdida,outras por estradas errantes ou ainda em mundos que eu ja nem sei... Me deparo com luzes que ferem meus olhos,mantenho-os abertos... Aperto mãos que transpiram sangue e sujo as minhas... Há ainda os abraços cruéis,de falta de amor,que me sufocam com sua angustia... E vozes que sussurram crimes incertos e me ensurdecem... Vultos e suas energias insólitas... Olhares que quase cegam com seu caos interior... Corações enjaulados com as correntes de seus próprios monstros... Não sei se encontro ou acho que me encontro... Não sei onde nem pra onde... Não sei se sei ou não quero saber... Há coisas lindamente estranhas por aqui,que não contenho meus gritos...e eu berro até que se movam os túmulos inférteis,e continuo a espera de que caiam estrelas do céu para iluminar essas almas amargas... E ainda gritarei para que possa o universo então me engolir,em sua imensidão,em sua vida sem fim,e que me mastigue e se partam outras milhões de estrelas...e que o mundo com suas cores disformes,sua poesia torta,se parta em outros mundos,e que as pessoas desses mundos também sejam feitas em pedaços brilhantes ,para que o universo unifique essas vidas insípidas,para que possam todos serem ametistas no céu!

...

Estava a mostrar os dentes,como a mulher que mostra as coxas na esquina,ainda feita de miséria e dor,iluminadas por candelabros tão obsoletos ,quanto aqueles dentes desconcertantemente desnudos de um desespero aterrador,num sorriso tão estridente quanto aqueles gritos calados,tão surdos,como suas vidas omissas!!!

Música: toma conta de mim!

Alimente sua alma e deixe-a fluir suavemente entre suas entranhas, seduzindo o corpo cansado,flamejando a inércia de seu espírito!

A coisa que fala

Ela queria assistir tv,mas não conseguia porque a coisa estava a falar!
A coisa contava histórias que a perturbavam,pobre mulher que não sabe da importancia da coisa,pobre mulher que vive a tapar os ouvidos!
Pois não é que ficou surda!
Passava então seus dias esparramada na cama,e ela a engolir,com os olhos pregados na televisão,a coisa bem que tentou alertar,mas ela já não ouvia.
Começou a definhar mas não percebia,dai então corria,mas corria errado e caia.

Preciso me encontrar

"...Deixe-me ir /Preciso andar/Vou por aí a procurar/Rir prá não chorar/Se alguém por mim perguntar/Diga que eu só vou voltar/Depois que me encontrar..."
De Candeia...

Salve Cartola!!!

Desconcerto

A máquina de sustentação do corpo está no concerto,andou perdida por esses dias,andou ainda por lugares distantes,está difícil de encontrar o caminho de volta,talvez até nunca volte, talvez não queira realmente voltar,só queira ir. Dizem que foi através de uma conversa com outras máquinas que ela decidiu e disse com um timbre pesado na voz:esse mundo já não o quero mais,aquelas mãos já não me satisfazem,senti durante muito tempo o peso daquele corpo sobre mim,agora estou aqui doente,supostamente doente,parece que minhas teclas estão falhas,que já não produzo como antes,que as palavras que formo estão desconexas! Saia da boca palavras que pareciam erradas,palavras nunca pronunciadas antes,palavras que ao serem proferidas estavam a ferir os ouvidos das outras máquinas,afinal era ela uma máquina doente e estava a fazer muito barulho,havia nela qualquer coisa de maluca. As outras máquinas estavam lá muito felizes,a espera da operação,estavam ansiosas para ficarem bonitas novamente,sem arranhões,sem ferrugem,sem barulho. Havia lá um liquidificador que se achava muito importante em seu papel,dizia ele que estava a sentir muitas saudades daquelas mãos,e que apesar de ter sido arremessado de uma janela,não se importava,pois sentia muita falta do contato com as coisas que eram jogadas para ele. Então a máquina de escrever indagou:qual a sensação de triturar as coisas? O liquidificador respondeu:me sinto importante,homogenizando as coisas,e triturando todos os diferentes. A máquina não compreendia e disse:mas não é preciso tornar tudo igual,as vezes eles querem continuar diferentes. Em tom prepotente respondeu o liquidificador:pois então que continue você com esse seu barulho estranho,com essas palavras amalucadas,e com as teclas tortas,eu quero triturar os diferentes,triturarrrrrrrrrr. Ouviu-se então varias gargalhadas monstruosamente afinadas. Era ela uma máquina de escrever,parecia muito velha perto das outras,parecia cansada,por um momento de loucura até sentiu-se feia,mas era ela muito formosa. Passava dias a observar,na fila de espera,articulando como iria fugir daquele lugar,pensou até em se espatifar,pois para aquelas mãos não queria mais voltar. Agora estava sozinha,podia perceber o olhar condescendente de uma e outra,mas sabia que apesar disso, eram só olhares,ela estava realmente só. Quando finalmente chegara o dia de seu concerto,saia dela sons ainda mais altos,então ela virou para o operante e disse:por favor não me opere!sinto-me doente é daquelas mãos,estou muito lúcida,as palavras que formo são apenas minhas,por isso disseram que estava doente,estou cansada de reproduzir palavras senhor. O senhor olhou-a e disse: maisi qui maquina disaparufusada,essa aqui num devi di tê cuncerto memo não,ta na hora di joga fora! Foi a máquina então para aquele grande liquidificador,a desarticulando cruelmente,triturando-a em pedaaaaços pobrezinha. Passado todo o barulho da violencia,ao meio do silêncio,ouviu-se seu último som que rangia assim: Pois eu num quero ninhum cuncerto,eu nasci pru discuncerto i agora eu to bem filiz purque grunhi bem alto feito porco no abate,e posso vê qui pelu silênciu tudu mundo mi ouviu! O senhor pôde ouvir então qualquer coisa de semelhante entre ele e a máquina e pensou desnorteado,com um sentimento de empatia e dor: Maisi será qui eu fizi bestera?Agora até qui eu intindi u qui essa amalucada tava falanu!