perfurou o estômago
pensando ser os pensamentos adormecidos no travesseiro
enfeitou o corpo com cortes
pensando ser a velha linha de costura
que se perdeu,que por descuido desvairou
causando abandono de sua máquina
então passou a se vestir em trapos
em velhos panos
rasgados
manchados
descosturados
e levava consigo um saco ácido onde depositava todos os dias um pedaço de sua vida
alguns pedaços imprestáveis de teu céu
algumas roupas desfeitas
as malfeitas
e este teu céu que acusado de não amanhecer,começou também a se desfazer
um bando de nuvens expulsas dançavam, escondendo a cerca de arames que rodeava tua casa
escondendo e amortecendo os cortes,a cada tombo na sua entrada,
todos os dias
do seu cotidiano cansado
e disse adeus às linhas de costura
abrindo os braços para dor
assim como se abrem as ostras para os grãos de areia
de sua proteção nasceram pérolas brilhantes
assim se desfez também de todas as roupas
e se transformou num lindo colar...
de pérolas...
de todas as cores
destoando
de todas as formas
desencaixando
de todos os tamanhos
desconstruindo
então abriu os braços para o mundo desconhecido que a habitava!

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