A fé criada em berço de palha,cresce tão fraca,que no fogo vira cinzas e sua fragilidade se espalha.
Com passos trovejantes,a visão esperneia sonidos emergentes,que se fazem urgentes, para que toda essa gente acorde,levante,escute!
Eu quero ver a sua cara ensaboada,lambuzada com toda essa limpeza,tão crua,tão sua,ver a sujeira escorrer,os olhos irritados,as suas lágrimas de sabão.Você,esparramando os seus sentimentos pelo chão.Remova os sentimentos velhos e os mova para outra direção!-A gente empilha,amontoa e soca no fundo de outro armário,um armário que foi feito pra caber cada pedaço deles,tão seus, mas que não os deixe aos pedaços!
Não há desculpa,não há culpa se a fé é cinza,se são cinzas,ainda que se sinta...
Não importa se não fizer sentido,importa apenas que se sinta...
A mitologia parece absurda,às vezes cruel,mas não deixa de ser linda,essa beleza pode não te interessar como interessa a mim,mas eu não deixo de me interessar por você.
Em cada armário mofado,estão guardados alguns sentimentos sujos,empoeirados,algumas sensações esquecidas,ainda um pouco vivas,mais para adormecidas.Quando estiver sem coragem para se abrir,eu posso tentar te ajudar,te ajudar a sair desse armário,desse antiquário.Eu sempre gostei das coisas antigas,as coisas escondidas.Escolher roupas e sapatos novos,andar por outras ruas,vagar em outros sentidos,senti-los,trocar a cor da maquiagem,ativar a engrenagem,sair de si,sem sumir de si.
Se ainda em outros cantos do seu caminho encontrar aquela fé atormentada,aquela malcriada,diga a ela,diga para que pare de te amolar,pois,a faca cega também corta!-Deve ser a sua cara,a sua cara de morta,a madeira do cabo um pouco velha,a lâmina um pouco torta,a visão sem corte,esse formato sem recorte,tão diferente das facas empilhadas no faqueiro,das facas usadas pelos açougueiros.Então corta logo,corta essa,corta essa fé afiada e as suas cordas vocais desafinadas!
Uma fé que corta,uma faca que cega...sem os olhos
Uma faca torta,uma fé que se nega...sem os pés
A faca cega também corta,a fé afiada também cega!
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