Um formigamento passa pelo corpo da mulher que se encontrava morta. Foi morta diversas vezes, pelos olhares vazios, morta sem agasalho embaixo de um teto frio, morta pela superstição em uma sexta-feira treze. Não dá pra contar quantas vezes se morre estando vivo, mas dá pra sacar muita gente por aí em estado vegetativo. Passos largos, passos inseguros, troncos carregados, troncos curvos. Na curva de cada trecho, vestimos uma luva, encontramos um desfecho, do que não tem trinco, assim como a tarraxa perdida de um brinco. No metrô, no ônibus, na sala de espera, rola a dança da cadeira de gente descadeirada, nos dentistas públicos,bocas escancaradas, bocas desdentadas, e na saída a ladeira que encerra. Na última cena, a serra corta a mulher já torta, dias difíceis que muitas vezes vezes nem se nota. A última nota desafina, morreu a mulher, morreu sua menina, ela deixa de ser mais um talher e se torna uma rima.
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Um comentário:
perfeito...v cé muito boa
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