Orquestra em coma

Faz-me desleal o tempo
Com fortes pancadas de descompasso
Joga-me ao desalento
Causando grande estardalhaço
Já passou da hora
De ir-me embora
Dessa caoticidade
Dessa cidade
Do maldizer desse povo
De teu ataque lazarento
Estorvo
Que acorda desvanecido
Pronto ao condicionamento
Enraivecido
A caminho do mutilamento
De teu viver triste e envelhecido
Essas vidas foram jogadas no fundo dos teus armários
Devoradas pelas traças de teus caros tecidos
Ajoelham-se sob teus santuários
Que há tempos foram esquecidos
Fazem murmúrios e preces
Promessas tão ocas quanto teus peitos amortecidos
Para que ao menos um santo se apresse
E acalente novamente teus sonhos depressiativos
E ainda nesse errar de teus pedidos
Tão cuidadosamente mal formulados e articulados
Cruelmente sentidos
Por tudo que aprendeu errado de teus professores condecorados
Foram mortos todos os teus anjos,pelos teus sonhos todos tão mal despidos
Pelo teu coração que se tornou amargo
Pela tua oração de fé roubada
Pelo gosto sujo de teu fardo
Por tuas palavras com timbre de desalmada
Por tua nudez tardia
De gente que fora mal amada
Tal qual uma pobre vadia
Que essa ao menos não sabia de nada
Agora na hora de tua morte implora por redenção
Com o corpo todo arranhado
E tristemente sem uma canção
Chora então já com o sorriso definhado
Pela morte daquele teu pobre anjo que fora dilacerado
Que logo após morrera por teu desdenhoso descuidado
Pelos teu velhos sonhos mal sentidos
Morrera mais uma vez,despedindo-se de teu inferno enfeitado
E de teu céu que se fez partido
Espatifou-se!

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