"A menina encaminhou-se para lá e começou a brincar com uns cubos coloridos. Depois começou a crescer crescer crescer. Não se casou, não teve filhos, comprou um automóvel, um apartamento de cobertura em Copacabana e uma casa em Poços de Caldas. "
Continuando a história...
Mas um dia ela sentiu os poços se secarem,e as caldas já não possuiam o mesmo gosto.O gozo se tornara cínico.Percebeu que já havia passado muito tempo desde a época em que brincava com os cubos coloridos,esses,no entanto,um tanto envelhecidos,perdidos num amontoado qualquer de suas conquistas.Ela se sentia desvanecer,pois a cobertura em copacabana,ja não era tão bacana,nos dias ruins,o automóvel permanecia imóvel,então tentava fazer qualquer coisa para preencher uma coisa qualquer que ela se confundia,com a eterna pergunta "se teria um dia","se se permitiria",se seus olhos estavam tão cansados que deixou passar.A cada pensamento se partia,mas ela fazia questão,ainda que no chão,manter aquele salto n°15 em ação,disso ela não abria mão,que era pra poder se sentir mais alta,esquecer de toda falta,respirar melhor,não se sentir tão na pior.Na cozinha tentava fazer qualquer coisa para comer ou talvez tomasse um sorvete,mas nesse momento nada a satisfazia,então largou tudo pra lá e foi dormir de barriga vazia.A cama parecia um formigueiro,não conseguia dormir direito,o cinzeiro transbordava o dia inteiro.Em uma hora de cansasso o corpo pediu colo,pediu sossego.Se lembrou de um sonho,um sonho de vida e sonho de sonho sonhado durante a noite,e foram tantas as noites.Tomou ar e deixou o dirigível,a cobertura bacana,os poços e as caldas e resolveu ir à praia,expor o seu corpo branco ao vento,as suas belas curvas, sem mãos que a tocassem,apenas com algumas canções na bolsa.Antes de sair de casa ,escutou uma citação na rádio:"Mas tu não deves esquecer.
Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas". Então,se sentiu feliz,mais confiante,pois,se lembrou que havia cativado coisas lindas.Desligou o rádio e partiu.
A manhã ainda estava cinza, escura, e a sua visão ainda um pouco desconfiada,obscura, mas tudo bem, ela era da alta costura.Chegando à praia ela pediu permissão ao mar,para nele adentrar,mergulhar tão fundo e perceber que uma proteção pedida,tão sentida não poderia te deixar,era a sua fé que pedia para voltar,uma esperança que voltava a lhe habitar.Olhou para o lado e avistou um cara,ele era magro,um pouco desajeitado,cara de canalha-e nelson rodrigues já não dizia que todo canalha é magro?!-ela percebeu a solidão nos olhos no moço,uma solidão doce,leve,sem complemento.Ela engoliu aquele orgulho de proteção e foi juntar "as" solidão,não tinha nada em mente,nenhuma segunda intenção,mas achou que depois de tanto tempo meio vaga,meio cheia,e tão cansada de "ser meia",de andar por qualquer direção e cansada ainda de ouvir que quando se esta perdido serve qualquer direção,decidiu compartilhar as idéias,mostrar para alguém as canções que levava consigo naquele momento.Chegou perto e tava com toda coragem do mundo,deixou a timidez lá no mar,bem no fundo e pegou em sua mão.Tem coisas que parecem absurdas,ela disse,sem razão,mas quando te vi aqui com esses cubos coloridos,tive uma estranha sensação,não me entenda mal,se bem que não ando muito ligada em compreenção,apenas fique aqui mais um pouco,continue segurando a minha mão,sabe,é o seu jeito,o jeito como brinca com os cubos,as cores que eles causam nos seus olhos.Vejo uma cicatriz em seu peito,mas ela esta um pouco torta,de qualquer jeito,sabia que eu sei costurar?
Então ele disse:Eu vi em seus olhos essas cores perdidas.Eu conserto coisas,sou restaurador de obras de arte,eu as olhos e vejo como elas foram e a partir disso,restauro suas formas e suas cores,a sua essência.Eu posso te ver.Continuando a história...
Mas um dia ela sentiu os poços se secarem,e as caldas já não possuiam o mesmo gosto.O gozo se tornara cínico.Percebeu que já havia passado muito tempo desde a época em que brincava com os cubos coloridos,esses,no entanto,um tanto envelhecidos,perdidos num amontoado qualquer de suas conquistas.Ela se sentia desvanecer,pois a cobertura em copacabana,ja não era tão bacana,nos dias ruins,o automóvel permanecia imóvel,então tentava fazer qualquer coisa para preencher uma coisa qualquer que ela se confundia,com a eterna pergunta "se teria um dia","se se permitiria",se seus olhos estavam tão cansados que deixou passar.A cada pensamento se partia,mas ela fazia questão,ainda que no chão,manter aquele salto n°15 em ação,disso ela não abria mão,que era pra poder se sentir mais alta,esquecer de toda falta,respirar melhor,não se sentir tão na pior.Na cozinha tentava fazer qualquer coisa para comer ou talvez tomasse um sorvete,mas nesse momento nada a satisfazia,então largou tudo pra lá e foi dormir de barriga vazia.A cama parecia um formigueiro,não conseguia dormir direito,o cinzeiro transbordava o dia inteiro.Em uma hora de cansasso o corpo pediu colo,pediu sossego.Se lembrou de um sonho,um sonho de vida e sonho de sonho sonhado durante a noite,e foram tantas as noites.Tomou ar e deixou o dirigível,a cobertura bacana,os poços e as caldas e resolveu ir à praia,expor o seu corpo branco ao vento,as suas belas curvas, sem mãos que a tocassem,apenas com algumas canções na bolsa.Antes de sair de casa ,escutou uma citação na rádio:"Mas tu não deves esquecer.
Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas". Então,se sentiu feliz,mais confiante,pois,se lembrou que havia cativado coisas lindas.Desligou o rádio e partiu.
A manhã ainda estava cinza, escura, e a sua visão ainda um pouco desconfiada,obscura, mas tudo bem, ela era da alta costura.Chegando à praia ela pediu permissão ao mar,para nele adentrar,mergulhar tão fundo e perceber que uma proteção pedida,tão sentida não poderia te deixar,era a sua fé que pedia para voltar,uma esperança que voltava a lhe habitar.Olhou para o lado e avistou um cara,ele era magro,um pouco desajeitado,cara de canalha-e nelson rodrigues já não dizia que todo canalha é magro?!-ela percebeu a solidão nos olhos no moço,uma solidão doce,leve,sem complemento.Ela engoliu aquele orgulho de proteção e foi juntar "as" solidão,não tinha nada em mente,nenhuma segunda intenção,mas achou que depois de tanto tempo meio vaga,meio cheia,e tão cansada de "ser meia",de andar por qualquer direção e cansada ainda de ouvir que quando se esta perdido serve qualquer direção,decidiu compartilhar as idéias,mostrar para alguém as canções que levava consigo naquele momento.Chegou perto e tava com toda coragem do mundo,deixou a timidez lá no mar,bem no fundo e pegou em sua mão.Tem coisas que parecem absurdas,ela disse,sem razão,mas quando te vi aqui com esses cubos coloridos,tive uma estranha sensação,não me entenda mal,se bem que não ando muito ligada em compreenção,apenas fique aqui mais um pouco,continue segurando a minha mão,sabe,é o seu jeito,o jeito como brinca com os cubos,as cores que eles causam nos seus olhos.Vejo uma cicatriz em seu peito,mas ela esta um pouco torta,de qualquer jeito,sabia que eu sei costurar?
Ali,em meio a uma praia desabitada,eles trocaram as suas canções,entregaram seus corações,sem juras de amor,sem pensar na eternidade,se entregaram a uma simples vontade,pensando apenas em compartilhar as coisas bonitas que há tempos não compartilhavam com ninguém,deixaram o estranhamento,sentindo o momento,percebendo que mesmo com tantas decepções,com tantas armações,às vezes não há mal nenhum em amar alguém por alguns instantes,vale a pena se permitir viver,deixar as coisas acontecerem.
Ela deixou-se invadir pelas cores.
Eram dois meios inteiros e os cubos coloridos.

2 comentários:
Puta que pariu...fico embevecida em ler isso...vc me encontra sempre q estou me perdendo. amei. te amo.
Nossa, não paro de ler...e a cada hora q leio e releio brotam sentimentos já esquecidos ou escondidos em mim...sentimentos que só vc consegue despertar.
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